PS exige explicações ao Governo por deixar Castelo Branco sem vagas médicas

Nuno Fazenda
Fotografia: Ricardo Pires Coelho

Nuno Fazenda questionou o Governo sobre a ausência total de vagas de Medicina Geral e Familiar atribuídas à ULS – Unidade Local de Saúde – de Castelo Branco, uma decisão que considera “incompreensível e profundamente preocupante, tendo em conta as necessidades reais da população da região”.

Numa pergunta dirigida à Ministra da Saúde, o deputado do PS eleito pelo círculo eleitoral de Castelo Branco quer saber quais os critérios concretos que estiveram na base da decisão de não atribuir qualquer vaga à ULS de Castelo Branco no âmbito do Despacho n.º 14920-B/2025, que define os postos de trabalho a preencher nas áreas da medicina geral e familiar, saúde pública e hospitalar.

Em nota é referido que o parlamentar questiona ainda se o Ministério da Saúde teve em consideração o elevado número de utentes sem médico de família – superior a 20 mil – e as aposentações previsíveis a curto prazo, que ultrapassam uma dezena de médicos daquela especialidade, no momento da definição das vagas.

Nuno Fazenda sublinha que “é incompreensível que uma ULS do Interior, com mais de 20 mil utentes sem médico de família e com várias aposentações iminentes, não tenha visto ser-lhe atribuída uma única vaga. Esta decisão ignora a realidade no terreno e penaliza gravemente a população”.

Na mesma iniciativa parlamentar, o deputado do PS questiona que medidas concretas pretendem o Governo adotar, a curto e médio prazo, para garantir a cobertura de médico de família aos cidadãos dos concelhos abrangidos pela ULS de Castelo Branco, e se existe disponibilidade para corrigir esta ausência de vagas, de forma a responder às necessidades identificadas.

O Grupo Parlamentar do PS teve igualmente conhecimento da moção aprovada pela Assembleia Municipal de Castelo Branco, intitulada “Defesa e Valorização do Hospital Amato Lusitano – Unidade Local de Saúde de Castelo Branco”, que expressa fortes preocupações quanto à situação dos recursos humanos daquela unidade, em particular à escassez de médicos e ao impacto direto no acesso da população aos cuidados de saúde.

A moção destaca fatores estruturais como o envelhecimento acentuado da população, a dispersão geográfica e as dificuldades de mobilidade, sublinhando que estas realidades exigem uma resposta de proximidade forte e devidamente dotada de recursos humanos. Salienta ainda a existência de constrangimentos persistentes, tanto nos cuidados hospitalares como nos cuidados de saúde primários.

Para o PS, esta situação reforça a necessidade de uma política de saúde que não discrimine o Interior e que responda de forma justa e equilibrada às necessidades dos territórios e das populações.

O deputado socialista Nuno Fazenda termina afirmando que “quem vive no Interior não pode ter menos direitos em saúde”.