Cumprindo uma tradição que a memória não chega para relatar tão antigo costume a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro, no concelho de Idanha-a-Nova, dá início, na 6ªfeira, 20 de fevereiro, mais um ciclo de Procissões, designada por, “Procissão dos Homens”. Nela só participarem homens e realiza-se nas primeiras cinco 6ªfeiras da Quaresma.
O início das procissões dá-se na Capela da Misericórdia, às 20h30, onde a respetiva Irmandade, vestida de opas pretas e velas acesas, partem acompanhados pela Cruz de Cristo, do Padre e da população masculina presente, dirigindo-se através das principais artérias da povoação à Igreja Matriz. Aí espera-os a Confraria do Santíssimo Sacramento, de opas vermelhas vestidas, dispostos ao longo da coxia, em duas colunas. Depois de rezado um mistério doloroso alusivo à crucificação do Senhor, partem de regresso à Capela, com a Confraria do Santíssimo Sacramento à frente e a Irmandade da Misericórdia atrás, cantando a Avé Maria, Santa Maria e Pai Nosso em andamento e ajoelhados, canta-se Glória.
O silêncio é a palavra-chave, apenas se ouvem os passos e as rezas. A escuridão é atenuada pelas lanternas e velas acesas. Os adágios e os ditos populares são muitos. As especulações que envolvem estes atos, meio pagão, meio religioso, não escasseiam.
Em nota é referido que há quem diga e defenda, que o motivo principal desta realização, iniciado por culturas diferentes das atuais, com outros problemas e outras ansiedades, que o “principal motivo desta realização tem a ver com a necessidade do homem em demarcar o seu espaço coletivo e dominar o território”. Por isso nada melhor do que a noite que representa a morte, o negativo.
Neste contexto como a mulher era encarada como um ser fraco e medroso, era-lhe retirada a possibilidade de participar. Estas ficam em casa à espera que a Procissão passe. Nesse momento espreitam à janela de vela acesa na mão, para “alumiarem” o caminho. Logo que a Cruz avança recolhem-se.
Apesar de todas as comodidades e novas mentalidades da sociedade atual, a tradição mantém-se e a atual Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro diz que tudo está a fazer para dar maior relevo à iniciativa e procurar novos Irmãos.