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Domingo, Julho 12, 2026
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Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro realiza mais um ciclo de “Procissão dos Homens”

Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro realiza mais um ciclo de “Procissão dos Homens”

Cumprindo uma tradição que a memória não chega para relatar tão antigo costume a Irmandade da Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro, no concelho de Idanha-a-Nova, dá início, na 6ªfeira, 20 de fevereiro, mais um ciclo de Procissões, designada por, “Procissão dos Homens”. Nela só participarem homens e realiza-se nas primeiras cinco 6ªfeiras da Quaresma.

O início das procissões dá-se na Capela da Misericórdia, às 20h30, onde a respetiva Irmandade, vestida de opas pretas e velas acesas, partem acompanhados pela Cruz de Cristo, do Padre e da população masculina presente, dirigindo-se através das principais artérias da povoação à Igreja Matriz. Aí espera-os a Confraria do Santíssimo Sacramento, de opas vermelhas vestidas, dispostos ao longo da coxia, em duas colunas. Depois de rezado um mistério doloroso alusivo à crucificação do Senhor, partem de regresso à Capela, com a Confraria do Santíssimo Sacramento à frente e a Irmandade da Misericórdia atrás, cantando a Avé Maria, Santa Maria e Pai Nosso em andamento e ajoelhados, canta-se Glória.

O silêncio é a palavra-chave, apenas se ouvem os passos e as rezas. A escuridão é atenuada pelas lanternas e velas acesas. Os adágios e os ditos populares são muitos. As especulações que envolvem estes atos, meio pagão, meio religioso, não escasseiam.

Em nota é referido que há quem diga e defenda, que o motivo principal desta realização, iniciado por culturas diferentes das atuais, com outros problemas e outras ansiedades, que o “principal motivo desta realização tem a ver com a necessidade do homem em demarcar o seu espaço coletivo e dominar o território”. Por isso nada melhor do que a noite que representa a morte, o negativo.

Neste contexto como a mulher era encarada como um ser fraco e medroso, era-lhe retirada a possibilidade de participar. Estas ficam em casa à espera que a Procissão passe. Nesse momento espreitam à janela de vela acesa na mão, para “alumiarem” o caminho. Logo que a Cruz avança recolhem-se.

Apesar de todas as comodidades e novas mentalidades da sociedade atual, a tradição mantém-se e a atual Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia do Ladoeiro diz que tudo está a fazer para dar maior relevo à iniciativa e procurar novos Irmãos.