Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara de Castelo Branco, rejeitou a ideia de que falar de territórios com menos população ou de baixa densidade seja um destino inevitável de declínio.
A autarquia refere que na Sessão de Abertura do seminário “Demografia e Economia nos Territórios e na Baixa Densidade”, que decorreu no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, o autarca defendeu que estes conceitos são “desafios exigentes e oportunidades de transformação”, sublinhando que o Município “tudo tem feito e continuará a fazer para manter o rumo do desenvolvimento por via de políticas públicas”.
Leopoldo Rodrigues destacou o forte pacote de infraestruturas locais – como o Aeródromo Municipal, a linha férrea eletrificada e a ligação por autoestrada até Lisboa -, mas frisou que a região precisa que o Estado reforce o investimento público, apontando como prioridade a construção do IC31 para ligar a autoestrada à fronteira espanhola, com destino a Madrid.
O autarca evidenciou ainda “a dinamização empresarial” com o sucesso de empresas exportadoras locais, o papel inovador do IPCB – Instituto Politécnico de Castelo Branco – e a relevância da Unidade Local de Saúde, para a qual pediu maior atenção política de modo a salvaguardar os cuidados hospitalares.
Por sua vez, presidente da CIMBB – Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa -, defendeu que o combate à perda demográfica e a criação de novas centralidades só são possíveis em rede e através da articulação supramunicipal. A este propósito, João Lobo revelou que um estudo recente do IPCB demonstrou um aumento na fixação de pessoas nos 8 municípios da CIMBB, “alguns acima dos 2 dígitos percentuais”.
Já José António Cortez, da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal, lembrou que a organização tem focado, há 2 anos, a sua ação na demografia, nos seus constrangimentos e previsões de desenvolvimento. Este é, aliás, o mote do Seminário, organizado conjuntamente pela Confederação e pela CIMBB, em colaboração com o Município albicastrense, que coloca em destaque a responsabilidade acrescida que as cidades têm para alavancar e dinamizar os territórios que as rodeiam.
A encerrar a Sessão de Abertura, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro alertou para a necessidade de serem rejeitadas terminologias negativas sobre a Região Centro, “demasiadamente assombrada com notícias negativas ligadas a incêndios e fenómenos naturais”. Em contrapartida, José Ribau Esteves, defendeu uma comunicação positiva, afirmando que “temos de jogar positivo, focar na notícia boa e valorizar o muito bom que temos”. Sublinhou ainda que “o motor da sustentabilidade é a economia, mas sempre em função do segundo pilar, que é o ser humano”, reforçando a urgência de serem criadas respostas concretas que fixem pessoas e garantam a competitividade do Interior.