O presidente da Câmara de Castelo Branco reforçou a recusa da autarquia à proposta da empresa Eurowind para instalar uma central híbrida (solar e eólica) de grande escala no concelho. As declarações foram feitas na sessão pública do projeto europeu NEUROCLIMA (financiado pela Comissão Europeia através do Programa Horizonte Europa), que decorreu na Fábrica da Criatividade.
A autarquia refere que a empresa dinamarquesa Eurowind quer investir mais de mil milhões de euros em energias renováveis em Castelo Branco, com a instalação de centrais solares, parques eólicos e sistemas de baterias, mas o Executivo já manifestou a sua firme discordância face à localização pretendida.
Leopoldo Rodrigues, que recebeu, recentemente, os responsáveis da Eurowind para uma reunião na Câmara Municipal, vincou que, embora o Município encare favoravelmente a transição energética, recusa a instalação de megaprojetos em solos agrícolas produtivos ou áreas de sensibilidade ambiental protegida.
O autarca garantiu que “iIrei apresentar todas as explicações e o relatório detalhado deste processo na próxima sessão da Assembleia Municipal (29 de junho)”, fundamentando as razões de ordenamento do território que ditaram a recusa da proposta.
Na sua intervenção, Leopoldo Rodrigues aproveitou para destacar alguns exemplos de medidas de mitigação e sustentabilidade ambiental desenvolvidos pelo Município, começando pela “eliminação definitiva da utilização de glifosatos e outros herbicidas químicos” nas operações de limpeza e manutenção de todo o espaço público, salvaguardando a biodiversidade e a saúde pública.
No plano da gestão da água, o presidente da Câmara Municipal apontou os esforços para viabilizar, junto das Águas de Portugal/EPAL, a “reutilização de águas tratadas da Estação de Tratamento de Águas Residuais para fins de rega e lavagem de ruas”. Paralelamente, o autarca fez um apelo aos munícipes para a separação de resíduos, sustentado no custo por tonelada pago à Valnor que escalou drasticamente de 53€ para 93€. Leopoldo Rodrigues explicou que “a única solução para travar este aumento de custos, que impacta diretamente a fatura dos cidadãos, é o rigor na separação e na reciclagem”, que destacou também o alargamento progressivo da recolha seletiva de biorresíduos no concelho.
O evento incluiu o debate “Territórios em Transição: Como Comunicar e Decidir a Ação Climática com as Pessoas?”, com a presença de várias personalidade. No painel, a autarquia conta que foram apresentadas ferramentas do NEUROCLIMA para a literacia climática e discutiu-se a “inteligência do lugar” perante os desafios da Beira Baixa, como a seca e o uso do solo.