O CIART – Centro de Interpretação de Arte Rupestre do Vale do Tejo -, em Vila Velha de Ródão, tem patente a exposição “O Princípio do Gesto – Manuel Cargaleiro”, até 31 de dezembro.
A mostra, organizada pela Fundação Manuel Cargaleiro em parceria com a Câmara de Vila Velha de Ródão, reúne um conjunto de desenhos a tinta-da-china sobre papel e cartão, placas de xisto pintadas a óleo, azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, provenientes da Coleção da Fundação Manuel Cargaleiro. A mostra estabelece um diálogo singular entre a obra do mestre e o contexto patrimonial do CIART, espaço dedicado à arte rupestre do Vale do Tejo, criando uma ponte conceptual entre tempos, linguagens e formas de inscrição.
A exposição está integrada nas comemorações do Centenário de Manuel Cargaleiro.
Segundo Gonçalo Garcia Magano, diretor da Fundação Manuel Cargaleiro e curador da mostra, a narrativa da exposição não se constrói a partir de uma lógica biográfica ou comemorativa, mas antes de uma hipótese conceptual: “(…) a de reconhecer que o gesto — enquanto forma de inscrição, de construção e de pensamento — permanece como um dos fundamentos da criação artística”.
A exposição estrutura-se em dois momentos distintos. O primeiro apresenta desenhos de grande economia estética, onde a redução formal permite evidenciar a gestualidade na sua expressão mais direta, acompanhados de placas de xisto que introduzem uma dimensão material e simbólica, aproximando o gesto de uma ideia de inscrição que ultrapassa o plano do papel. O segundo momento desloca o gesto do campo do desenho para o da materialidade, através de azulejos e placas cerâmicas esgrafitadas, onde o gesto se afirma como ação física sobre a superfície, numa lógica próxima da gravação.
A escolha do CIART como espaço de acolhimento à exposição não é arbitrária. Trata-se de um regresso simbólico à terra natal do artista e de um reconhecimento do território enquanto lugar de memória, identidade e permanência do gesto humano através dos tempos.