O Município de Idanha-a-Nova acolheu o “X Curso Livre Ibérico sobre Religiosidade Popular”, um evento que, sob o tema “Mudanças e Continuidades no Séc. XXI”, marcou uma década de reflexão científica sobre as tradições que definem a identidade raiana. No Fórum Cultural, investigadores e especialistas estiveram reunidos, durante dois dias, para debater o papel da fé e da cultura na coesão dos territórios.
A autarquia refere que na sessão de abertura, a presidente da Câmara de Idanha-a-Nova reforçou o compromisso inequívoco do concelho com a valorização das suas raízes, frisando que “falar da Páscoa em Idanha-a-Nova é falar de um território que vive intensamente cada expressão de religiosidade. Aqui, cada gesto e cada procissão é uma herança viva que continua a fazer sentido no presente porque é alimentada pela alma e pelo coração da nossa gente”.
Elza Gonçalves sublinhou que a estratégia municipal passa por transformar a tradição num motor de futuro, destacando que “o nosso maior património não é apenas aquilo que herdámos. É quem somos. É a nossa gente que mantém vivas tradições que poderiam ter-se perdido, mas que aqui ganham força e emoção. Idanha-a-Nova continuará a proteger e a promover este legado, afirmando-se como um território onde a cultura, a fé e a identidade caminham lado a lado”. A autarca lembrou ainda que a integração de Idanha-a-Nova na Rede Europeia de Celebrações da Semana Santa e Páscoa é um selo de qualidade que potencia o turismo sustentável e a investigação científica a nível internacional.
O programa desta 10ª edição iniciou-se com a contextualização histórica e antropológica de António Silveira Catana, coordenador do projeto “Mistérios da Páscoa”; e de Mário Correia, cujas intervenções sobre as expressões de fé são pontuadas pela mística do Grupo de Encomendação das Almas de Idanha-a-Nova.
A vertente científica estendeu-se à escala ibero-americana com a conferência de Ángel Espina Barrio, que analisou as celebrações alternativas da Paixão, e explorou a simbologia profunda do “Pão de Deus” e dos “Caminhos da Paixão”. Além das conferências, o curso apostou na imersão direta no “Território dos Rituais” através de uma saída de campo, permitindo aos participantes o contacto direto com práticas ancestrais em ambiente real.
O encerramento solene aconteceu com o XVII Encontro de Cantares Quaresmais e Pascais, um momento onde a música tradicional se assumiu como a derradeira guardiã da memória coletiva da região.