Monfortinho, no concelho de Idanha-a-Nova, perto da fronteira com Espanha, acolheu uma concentração ibérica histórica que reuniu centenas de cidadãos, empresários e autarcas de Portugal e Espanha.
Sob o lema “Autovía de la Esperanza”, a mobilização foi promovida pela ATE – Aliança Territorial Europeia – e reclamou aos Governos dos dois países a aceleração do eixo transfronteiriço composto pelo IC31, do lado português, e pela EX-A1, do lado espanhol, pondo fim a um bloqueio de 25 anos.
A conclusão desta infraestrutura é considerada vital para combater o isolamento, travar a perda demográfica e garantir a ligação em autoestrada mais curta e direta entre as duas capitais ibéricas, frisa o município de Castelo Branco.
O presidente da Câmara albicastrense marcou presença no protesto e sublinhou o impacto estruturante do projeto, considerando o dia como “histórico que demonstra o empenho da sociedade civil da Beira Baixa e da Extremadura. O movimento que temos vindo a desenvolver há dois anos prova que este projeto rodoviário é essencial para alavancar o nosso território”. Leopoldo Rodrigues enfatizou ainda o carácter suprapartidário da ação, alinhando-se com o porta-voz da Aliança, Francisco Martín, afirmando que “este não é um projeto partidário, é uma ambição de todos. Não é uma ação contra os Governos de Portugal e de Espanha, mas um apelo para que ouçam a voz do povo. Só ficaremos sossegados quando virmos as máquinas no terreno”, indicou, concluindo que é hora de passar das promessas aos atos após mais de duas décadas de atraso: “Para nós, é agora ou nunca. O nosso desenvolvimento não pode esperar mais”.
Também presente esteve a presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, onde destacou o simbolismo do encontro como um marco de justiça, coesão e respeito por um povo resiliente. O Município frisa que a autarca afirmou que a implementação do IC31 com perfil de autoestrada representa uma oportunidade transformadora para reposicionar a região como o centro de um novo eixo ibérico. Elza Gonçalves sublinhou que “esta obra ultrapassa a engenharia e o território. Esta é a autoestrada da esperança de um povo inteiro. É o canal que libertará o potencial adormecido de uma região que exige, por direito e por justiça, o seu lugar no futuro!”. A autarca enfatizou ainda a legitimidade da reivindicação, lembrando aos governos centrais que os cidadãos da Beira Baixa cumprem as mesmas obrigações fiscais que os das capitais. O foco do Município de Idanha-a-Nova reside na facilitação do investimento privado, na fixação de jovens talentos e na atração de novas dinâmicas económicas através de um corredor de transporte rápido e seguro.
O evento encerrou com uma mensagem de união ibérica, demonstrando que a exigência da conversão do eixo transfronteiriço é uma causa comum que ultrapassa cores políticas para garantir a prosperidade e a sustentabilidade das populações da Raia.