O Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, tem patente a exposição “Vasta é Castela”, do fotógrafo francês Bernard Cornu.
A mostra expõe o culminar de uma maturidade artística rara, juntando mais imagens e mais densidade ao diálogo iniciado há décadas entre Cornu e Idanha-a-Nova, território onde a fronteira é um espaço de encontro, não de separação. Ao fixar a lente em Castela e nesta zona da raia, o fotógrafo valida a vocação transfronteiriça desta terra, com uma mestria técnica que nunca sobrepõe o artifício à verdade.
Apaixonado por Portugal, país que fotografa desde 1988, Bernard Cornu criou uma relação umbilical com Idanha-a-Nova, tendo integrado o seu trabalho numa linha de intervenção que é muito cara ao concelho, levando consigo não apenas este território, mas a alma do país que a vida lhe permitiu descobrir. A sua prática, situada entre a reportagem e o landscape, procura a intemporalidade que, em “Vasta é Castela”, espelha também a essência mais nua dos povos raianos.
É precisamente este carácter raiano e fronteiriço assumido com orgulho por Idanha-a-Nova que faz com que as relações com o “lado de lá” – Castela – surjam com total naturalidade. Esta vivência quotidiana de proximidade e intercâmbio é o que legitima, de forma plena, uma exposição desta natureza, transformando o que poderia ser um olhar estrangeiro numa narrativa partilhada sobre a identidade ibérica de Idanha-a-Nova.
As cerca de 40 imagens expostas no Centro Cultural Raiano, fazem parte do espólio que Bernard Cornu doou ao Município, em 2024, com 580 das suas impressões fotográficas.
“Vasta é Castela” conta com o apoio de Ari/Naturtejo – Geografia Criativa e pode ser vista até outubro, de forma gratuita.