Na véspera de uma reunião decisiva em Lisboa, a ATE – Aliança Territorial Europeia – veio a público exigir compromissos concretos e calendários vinculativos para o início das obras da “Autoestrada da Esperança” e para o desbloqueio das ligações transfronteiriças.
O encontro desta 4ªfeira, 2 de setembro, junta o Conselheiro de Infraestruturas da Junta da Estremadura, Francisco Ramírez, e o Ministro das Infraestruturas de Portugal, Miguel Pinto.
A ATE, que representa diversas entidades do Norte da Estremadura espanhola e da Beira Baixa portuguesa, recorda em comunicado que aguarda há dois anos e meio por esta reunião de alto nível. Embora considere o encontro um passo importante, a organização adverte que as expectativas das populações locais não podem voltar a ser frustradas.
Para evitar um novo impasse, a Aliança estabeleceu quatro prioridades e exigências fundamentais: arranque imediato do primeiro lanço de obras – início urgente dos trabalhos nos troços entre Moraleja e Cilleros (lado espanhol, EX-A1) e entre Alcains e a vila de Idanha-a-Nova (lado português, IC31). O objetivo é concluir os 72km em falta até ao final de 2029, antecipando o Mundial de Futebol de 2030; desbloqueio das pontes internacionais sobre o Rio Erges e Cedilho – validação imediata dos trâmites pendentes para que o Congresso dos Deputados em Espanha aprove o acordo internacional sobre a Ponte do Rio Erges, seguindo o modelo adotado na XXXV Cimeira Luso-Espanhola em Faro. Exige-se também o início rápido das obras da Ponte Internacional de Cedilho; criação de um corredor logístico e industrial – atualmente, 88% da ligação entre Madrid e Lisboa por este trajeto já é autoestrada sem portagens. A conclusão dos restantes 12% irá reduzir os custos de transporte de mercadorias entre 100 e 150 euros por camião/viagem, aumentando a competitividade de parques industriais como os de Castelo Branco e Plasencia; e acessibilidade turística e combate ao despovoamento – a nova infraestrutura irá colocar as praias do Centro de Portugal a apenas 2,5 horas do Norte da Estremadura e a menos de 5h de Madrid. A ATE estima que a falta de acessibilidades modernas faz o interior perder cerca de 1 milhão de turistas por ano.
Francisco Martín, porta-voz da Aliança Territorial Europeia, afirma que “a província de Cáceres, a Beira Baixa e o Alto Alentejo não podem continuar a ser tratados como uma ilha. Sermos menos pessoas no interior não significa termos menos direitos”.
A organização reforça ainda que “a conclusão desta ligação é fundamental para a competitividade das nossas empresas, para a fixação de pessoas e para transformar o interior num verdadeiro eixo de desenvolvimento transfronteiriço”, destaca Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara de Castelo Branco.