Dois projetos premiados no Concurso de Ideias para a antiga piscina de Castelo Branco

Dois projetos premiados no Concurso de Ideias para a antiga piscina de Castelo Branco
Fotografia: Ricardo Pires Coelho

Os dois projetos vencedores do Concurso Público de Ideias para a reconstrução e alteração da antiga piscina de Castelo Branco foram apresentados no Museu Francisco Tavares Proença Júnior. O momento contou ainda com uma Sessão Pública que incluiu um debate sobre o futuro deste espaço.

Promovido pelo Município de Castelo Branco, com a assessoria da Secção Regional do Centro da Ordem dos Arquitectos, este primeiro Concurso pretendeu encontrar as melhores propostas para um novo uso daquele espaço identitário da cidade, encerrado há mais de duas décadas e que, desde então, tem acolhido associações.

O 1º classificado foi o projeto apresentado pelo atelier Dobrarquitetura, coordenado pela arquiteta Alexandra Paisana Belo, em equipa com o arquiteto Vítor Mingacho, que recebeu um prémio no valor de 6.000€; e o 2º classificado foi o projeto apresentado pelo arquiteto Nelson Gil Valente Martins, em equipa com a arquiteta Inês Semedo, que recebeu um prémio no valor de 3.000€.

Durante a sessão, o presidente do Conselho Diretivo Regional do Centro da Ordem dos Arquitectos e Presidente do Júri do Concurso de Ideias, sublinhou que “as zonas do Interior merecem respeito e atenção”. Para Florindo Belo Marques, “rejuvenescer um equipamento importante” foi o principal objetivo deste Concurso de Ideias.

Florindo Belo Marques, presidente do Conselho Diretivo Regional do Centro da Ordem dos Arquitectos, realçou também a descentralização da instituição na sua intervenção no país.

Já o presidente da Câmara de Castelo Branco começou por considerar que “o papel da arquitetura e o seu impacto devem ser debatidos” e as duas ideias apresentadas “servirão de base para um programa que se quer discutido e o mais abrangente possível”.

Leopoldo Rodrigues realçou “o trabalho profícuo” que o Município tem vindo a realizar com a Ordem dos Arquitetos e destacou a “coragem e qualidade” dos projetos concorrentes, frisando que “o caminho não acaba aqui, pois este é um primeiro passo daquilo que será o projeto final do Caderno de Encargos que vamos lançar”.

Leopoldo Rodrigues, presidente da Câmara de Castelo Branco, deixou claro que a antiga Piscina não voltará a ser um espaço balnear, uma vez que “deparámo-nos com dificuldades, como a consolidação do terreno, que trariam encargos financeiros quase incomportáveis” e, dada a alocação de recursos com esta dimensão a equipamentos públicos, “o tempo de utilização não poderia ser apenas nos meses do verão”.

Durante o debate público foi manifestado por alguns dos intervenientes em querer reaproveitar o equipamento das piscinas. O autarca referiu que essa também foi a primeira intenção do Município.

Agora, depois do Concurso Público de Ideias, o Município de Castelo Branco vai acolher e ponderar as melhores ideias e soluções que irão estar na base da definição do Programa Preliminar do segundo Concurso Público de Conceção, seguido de Ajuste Direto, para aquisição de serviços para a elaboração do projeto para a reconstrução da antiga piscina de Castelo Branco, que será lançado oportunamente.

Sobre os projetos vencedores

1° classificado: Alexandra Paisana Belo e Vítor Mingacho

Propõe a criação da Porta da Encosta, como sendo uma nova entrada para a cidade, através de novos acessos e percursos, baseada em estratégias de urbanismo. O espaço teria duas plataformas: uma mais paisagística, na parte de cima do terreno, de parque urbano, através da renaturalização da encosta, com árvores e vegetação; e outra mais como área de lazer, de parque lúdico, na parte inferior do terreno, com jogos de água e também com alguns edificados.

A estabilização estrutural do terreno seria concretizada através de um edifício multifuncional, numa zona semienterrada. Os antigos balneários poderiam ser utilizados por associações ou empresas e o antigo poço seria dividido por pisos, ocupados por escritórios ou assumir uma função habitacional.

O projeto pretende manter o padrão do pavimento e o edifício de restauração, contemplando, ainda, a criação de estacionamento para autocarros turísticos e estacionamento de apoio à zona do Castelo, bem como a implementação de passadiços entre cotas e de elevadores panorâmicos, um deles inserido na antiga torre de saltos da piscina.

2° classificado: Nelson Gil Valente Martins e Inês Semedo

Propõe uma dinâmica de ocupação, de dois polos distintos com um espaço de ligação, trazendo postos de trabalho, através do conceito de Fab-Lab, enquanto Centro Artístico e Tecnológico, com várias salas criativas e gabinetes dedicados ao empreendedorismo, readaptando os edifícios existentes e, simultaneamente, criando um novo arranjo paisagístico, aumentando a zona de contemplação da cidade.

O espaço apresentaria uma espécie de rampa multiusos, que poderia servir como palco para eventos e teria uma zona de bancadas com sombra. A antiga torre de saltos passaria a ser um miradouro, com queda de água, onde estaria exibido o lettering do Fab-Lab. A zona do bar mantinha-se, seriam acrescentados oficinas e arrumos e haveria um anfiteatro natural no local da antiga piscina. Os estacionamentos existentes também permaneceriam, adicionando um elevador e um novo acesso pedonal.

Este projeto também pretende ser um complemento de usufruto aos habitantes e visitantes da zona do Castelo, dando-lhes um lugar agradável, com um lago e um bar com esplanada.

Ricardo Pires Coelho